terça-feira, 18 de abril de 2017

"Nova História Indígena: recuperando o protagonismo dos índios"

* Matéria do site Café História *

comunidades-idigenas

Comunidades indígenas da atual região do Novo México, Estados Unidos Retirado da página 496 da obra “Reisen in die Felsengebirge Nord-Amerikas bis zum Hoch-Plateau von Neu-Mexico, unternommen als Mitglied der im Auftrage der Regierung der Vereinigten Staaten ausgesandten Colorado-Expedition. Mit … Landschaften und Abbildun”, de Balduin Moellhausen, Leipzig, 1861. Fonte: The British Library.

Desde o final da década de 1970, uma nova compreensão histórica dos povos nativos começou a se consolidar na historiografia. Confira uma introdução a dez obras fundamentais sobre a chamada “Nova História Indígena”.

Leia mais:

http://www.cafehistoria.com.br/nova-historia-indigena-recuperando-o-protagonismo-dos-indios/

domingo, 9 de abril de 2017

História e Memória

Retirado do  Dicionário de Conceitos Históricos - Kalina Vanderlei Silva e Maciel Henrique Silva – Ed. Contexto – São Paulo; 2006

MEMÓRIA

Segundo Jacques Le Goff, a memória é a propriedade de conservar certas informações, propriedade que se refere a um conjunto de funções psíquicas que permite ao indivíduo atualizar impressões ou informações passadas, ou reinterpretadas como passadas. O estudo da memória passa da Psicologia à Neurofisiologia, com cada aspecto seu interessando a uma ciência diferente, sendo a memória social um dos meios fundamentais para se abordar os problemas do tempo e da História.

A memória está nos próprios alicerces da História, confundindo-se com o documento, com o monumento e com a oralidade. Mas só muito recentemente se tornou objeto de reflexão da historiografia. Só no fim da década de 1970 que os historiadores da Nova História começaram a trabalhar com a memória. Na Filosofia, na Sociologia, antropologia e principalmente na Psicanálise, no entanto, os estudos sobre a memória individual e coletiva já estavam avançados. Foi o fundador da Psicanálise, e um dos ícones da modernidade, Sigmund Freud, quem no século XIX iniciou amplos debates em torno da memória humana, trazendo à tona seu caráter seletivo: ou seja, o fato de que nos lembramos das coisas de forma parcial, a partir de estímulos externos, e escolhemos lembranças. Freud distinguiu a memória de um simples repositório de lembranças: para ele, nossa mente não é um museu.

Nesse aspecto, ele remete a Platão, que já na Antiguidade apresentava a memória como um bloco de cera, onde nossas lembranças são impressas. Quando os historiadores começaram a se apossar da memória como objeto da História, o principal campo a trabalhá-la foi a História Oral. Nessa área, muitos estudiosos têm-se preocupado em perceber as formas da memória e como esta age sobre nossa compreensão do passado e do presente. Para teóricos como Maurice Halbawchs, há inclusive uma nítida distinção entre memória coletiva e memória histórica: pois enquanto existe, segundo ele, uma História, existem muitas memórias.

E enquanto a História representa fatos distantes, a memória age sobre o que foi vivido. Nesse sentido,  não seria possível trabalharmos a memória como documento histórico. Essa posição hoje é muito contestada. Antonio Montenegro, por exemplo, considera que apesar de haver uma distinção entre memória e História, essas são inseparáveis, pois se a História é uma construção que resgata o passado do ponto de vista social, é também um processo que encontra paralelos em cada indivíduo por meio da memória. Mas a memória não é apenas individual.

Na verdade, a forma de maior interesse para o historiador é a memória coletiva, composta pelas lembranças vividas pelo indivíduo ou que Ihe foram repassadas, mas que não Ihe pertencem somente, e são entendidas como propriedade de uma comunidade, um grupo. O estudo histórico da memória coletiva começou a se desenvolver com a investigação oral. Esse tipo de memória tem algumas características bem específicas: primeiro, gira em torno quase sempre de lembranças do cotidiano do grupo, como enchentes, boas safras ou safras ruins, quase nunca fazendo referências a acontecimentos históricos valorizados pela historiografia, e tende a idealizar o passado. Em segundo lugar, a memória coletiva fundamenta a própria identidade do grupo ou comunidade, mas normalmente tende a se apegar a um acontecimento considerado fundador, simplificando todo o restante do passado. Por outro lado, ela também simplifica a noção de tempo, fazendo apenas grandes diferenciações entre o presente ("nossos dias") e o passado ("antigamente': por exemplo). Além disso, mais do que em datas, a memória coletiva se baseia em imagens e paisagens. O próprio esquecimento é também um aspecto relevante para a compreensão da memória de grupos e comunidades, pois muitas vezes é voluntário, indicando a vontade do grupo de ocultar determinados fatos. Assim, a memória coletiva reelabora constantemente os fatos. Outra distinção entre História e memória está no fato de a História trabalhar com o acontecimento colocado para e pela sociedade, enquanto para a memória o principal é a reação que o fato causa no indivíduo. A memória recupera o que está submerso, seja do indivíduo, seja do grupo, e a História trabalha com o que a sociedade trouxe a público.

Autores como Paul Veyne, por exemplo, afirmam que se acreditarmos que alguns fatos são mais importantes do que outros, teremos de considerar que essa importância é relativa e segue critérios pessoais de cada historiador. Para Montenegro, por sua vez, a dificuldade de se utilizar os depoimentos orais como fonte da História é que o fato de que eles são fontes construídas pela memória, e esta reelabora a realidade vivida pela imaginação. Para Jacques Le Goff é preciso diferenciar as sociedades de memória oral e as de memória escrita. Mas enquanto estudiosos como Leroi-Gourham consideram que a memória coletiva, ou étnica, é uma característica intrínseca de todas as sociedades, Le Goff defende que ela é uma forma característica dos povos sem escrita. Seja como for, nas sociedades sem escrita a atitude de lembrar é constante, e a memória coletiva confunde História e mito. Tais sociedades possuem especialistas em memória que têm o Importante papel de manter a coesão do grupo. Um exemplo pode ser visto nos griots da África Ocidental, cidadãos de países como Gâmbia, por exemplo. Os griots são especialistas responsáveis pela memória coletiva de suas tribos e comunidades. Eles conhecem as crônicas de seu passado, sendo capazes de narrar fatos por até três dias sem se repetir. Quando os griots recitam a história ancestral de seu clã, a comunidade escuta com formalidade. Para datar os casamentos, o nascimento de filhos etc., os griots interligam esses fatos a acontecimentos como uma enchente. Tais mestres da narrativa são exemplos de como a tradição oral e a memória podem ser enriquecedoras para a História: ambas são vivas, emotivas e, segundo o africanista KiZerbo, um museu vivo.

Esses especialistas em memória das sociedades sem escrita, todavia, não decoram palavra por palavra. Pelo contrário, nessas sociedades a memória tem liberdade e possibilidades criativas, e é sempre reconstruída. A escrita por sua vez, transforma fundamentalmente a memória coletiva. No Ocidente, seu surgimento possibilitou o registro da História por meio de documentos. Para Leroi-Gouham, a memória escrita ganhou tal volume no século XIX que era impossível pedir que a memória individual recebesse esse conteúdo das bibliotecas. O que levou, no século XX, a uma revolução da memória, da qual fez parte a criação da memória eletrônica.

O século XX vivenciou também a expansão dos estudos sobre a memória na Arte e na Literatura. O Surrealismo nas artes plásticas, estilo de pintores como Salvador Dalí, por exemplo, preocupado com o mundo dos sonhos, passou a se questionar sobre a memória. Já a obra de Marcel Proust, por outro lado, é o melhor exemplo de uma exploração literária da memória. Outro é o conto de Jorge Luis Borges, "Funes, o memorioso” que explora a possibilidade de um indivíduo que nunca se esquece de nada, e de como isso o faria perder a própria capacidade de pensar, visto que esta se baseia na seleção e associação de memórias.

A interdisciplinaridade nas ciências sociais também modificou a percepção da memória coletiva. Já a partir de Halbawchs, em 1950, o estudo da memória coletiva passou a interligar Psicologia Social, Antropologia e Etno-história. Além disso, a partir desse período, a Nova História buscou criar uma História científica com base na memória coletiva, considerando também a importância da memória para a definição das identidades. Na década de 1970, o escritor afro-americano Alex Haley empreendeu uma monumental pesquisa em três continentes em busca do passado de sua família a partir das memórias repassadas geração após geração, desde o primeiro membro da família a chega  na América como escravo. Essa pesquisa, que deu origem ao livro Raizes, impulsionou um processo de valorização da memória como fonte para a construção das identidades. Haley trabalhou com griots em Gâmbia e difundiu no Ocidente um exemplo de como as sociedades sem escrita pensam sua memória: as comunidades tradicionais de Gâmbia, os "homens sábios” afirmavam que a ancestralidade de todas as pessoas remontava necessariamente a um tempo em que a escrita não existia. E aí então a memória humana tornava-se a única forma de conseguir informações sobre o passado.

Para eles, a cultura ocidental estava tão condicionada ao esmagamento da escrita, que poucos poderiam compreender do que uma memória treinada era capaz. Nesse ponto, cabe fazermos referência a outro grande africanista, Jan Vansina, que defende que a oralidade é uma atitude diante da realidade e não a ausência de uma habilidade, no caso a habilidade de escrever. E são justamente as sociedades orais as que melhor preservam a capacidade de compreensão de seu passado por meio da memória coletiva. Assim, a reflexão sobre a memória tornou-se, para professores de História, uma oportunidade para refletir sobre a capacidade de produzir conhecimento sobre o passado, e sobre como essa capacidade difere de povo para povo.

Estudar em sala de aula os griots, por exemplo, é trabalhar de forma prática com a diversidade cultural da humanidade, não se atendo somente a um discurso de igualdade entre todas as culturas. E o verdadeiro entendimento da diversidade cultural passa pela compreensão de que não há superioridade cultural e, logo, de que a escrita não é um marco entre os povos desenvolvidos e os subdesenvolvidos.

VER TAMBÉM
Cultura; Discurso; Etnia; Etnocentrismo; Folclore; Fonte Histórica; História; História Oral; Identidade; Imaginário; Interdisciplinaridade; Mentalidades; Mito; Patrimônio Histórico; Relativismo Cultural; Tempo; Tradição.

SUGESTÕES DE LEITURA
BURGIUÉRE,André (org.). Dicionário das ciências históricas. Rio de Taneiro: Imago, 1993.
HALEY, Alex. Negras raízes. São Paulo: Círculo do Livro, s. d.
KI-ZERBO, J (coord.). História geral da África. São Paulo: Ática, 1982, v. I: Metodologia e Pré-história da África.
LE GOFF, Jacques. História e memória. Campinas: Ed. Unicamp, 1994.
MONTENEGRO, Antonio Torres. História oral e memória: a cultura popular revisitada. São Paulo: Contexto, 2001.

domingo, 26 de março de 2017

Atividades de História - "Pré-história", a humanidade no Paleolítico e "A Guerra do Fogo"

Há pelo menos quatro décadas o termo "Pré-história" é problematizado e criticado por diversas ciências humanas, dentre as quais a arqueologia, a etnologia, a antropologia, a sociologia e a própria história, como apontou Tassone (1980). Tal problematização estaria vinculada a diferenças fundamentais no que diz respeito à filosofia da história e nas particularidades das referências teórico-metodológicas da pesquisa histórica e daquela que corresponde aos períodos paleolítico e neolítico. Observa-se que houve uma tendência da disciplina de História, sobretudo a partir dos fundamentos positivistas e cientificistas que a influenciaram os historiadores europeus do século XIX a estabelecerem a escrita e os documentos de fonte escrita, como os portadores da história, o que colocou as sociedades de tradição oral e ágrafas (sem escrita) na condição de "sociedades sem história", justificando o conceito de "barbárie" e "raças inferiores", que fundamentaram as práticas eugenistas (branqueamento social), associando-se à corrente denominada "darwinismo social" (crença na existência de raças mais evoluídas, raças menos evoluída), justificando o neocolonialismo do século XIX.

Essa visão da história tendia a diminuir a relevância dos períodos da Pré-história: Paleolítico e Neolítico, assim como elaborou uma periodização da História fundamentada em momentos característicos das sociedades da Europa Ocidental:

Idade Antiga: iniciado aproximadamente em 3000 a.C, com o surgimento da escrita, e encerrado com a queda do Império Romano do Ocidente em 476 d.C. com a invasão dos povos "bárbaros" germânicos a Roma. Este período caracteriza-se pelo estudo das chamadas "grandes civilizações" da Antiguidade localizadas entre a Ásia Menor, o Oriente Médio, o Norte da África e a Europa Mediterrânica. Dentre as características fundamentais dessa periodização estão o surgimento do Estado centralizado, dos códigos de linguagem escrita, das religiões estruturadas em panteões divinos e a formação de clérigos/sacerdotes profissionais associados ao poder estatal, a expansão e conquistas territoriais e um avanço notável nas tecnologias de construção e nos saberes medicinais, matemáticos, astrológicos e na produção de um legado artístico e cultural duradouro.

Idade Média: de 476 d.C. até a queda do Império Romano do Oriente em 1453 d.C. com a invasão dos povos turcos a Constantinopla (atual Istambul). Este período é caracterizado pelo declínio civilizatório (artístico, científico, estrutura estatal etc) e imperial na Europa Ocidental e o surgimento do feudalismo. Nesse período há a expansão do Cristianismo no Ocidente e a formação de um modelo social agrário, estruturada nas relações entre um campesinato servil e uma nobreza detentora da posse das terras agrícolas. Houve a constância de guerras entre os reinos europeus, assim como contra invasores oriundos do norte da Europa (povos vikings, ou escandinavos), do norte da África (islâmicos sarracenos) e do leste (islâmicos sassânidas). A crescente oposição entre a "cristandade" e a expansão dos califados islâmicos, resultou ainda no movimento de Cruzadas, que configuraram novas dinâmicas bélicas e comerciais entre Ocidente e Oriente. (elaborado pelo autor)

Idade Moderna: A chamada Idade Moderna é considerada de 1453 até 1789, quando da eclosão da Revolução Francesa. Compreende o período da invenção da Imprensa, os descobrimentos marítimos e o Renascimento. Caracteriza-se pelo nascimento do modo de produção capitalista.

Idade Contemporânea: A chamada Idade Contemporânea compreende-se de 1789 até aos dias atuais. Envolve conceitos tão diferentes quanto o grande avanço da técnica, os conflitos armados de grandes proporções e a Nova Ordem Mundial.

Críticas à periodização clássica: Os críticos dessa fórmula de periodização, baseada em eventos ou fatos históricos, apontam diversos inconvenientes em seus "recortes", entre os quais:

o advento da escrita ocorreu em diferentes períodos em diferentes culturas, tornando imprecisa uma comparação puramente cronológica, por exemplo, entre as culturas do Crescente Fértil com as diferentes culturas pré-colombianas; as mudanças ocorridas entre períodos registraram-se gradualmente, e em velocidades variáveis conforme as culturas/regiões, como por exemplo, o fim de um modo de produção como o feudalismo.
Mesmo nesta periodização há críticas sobre quais seriam os marcos para o fim e começo dos períodos; assim, alguns autores assinalam o fim da Antiguidade em 395, como Joaquim Silva e J. B. Damasco Penna, informando que "há historiadores que preferem considerar o fim da Antiguidade em 476..."; estes autores colocam o fim da Idade Média em 1453, ano da queda de Constantinopla, enquanto "nem por todos é aceita; alguns colocam o fim da Idade Média em 1492, data do descobrimento da América". Já para a Era Contemporânea, trazem que "também há críticas de historiadores, vários dos quais entendem que a História Contemporânea começa realmente em 1914, início da Primeira Guerra Mundial..." (retirado da Wikipédia: . Acesso em 09 abr 2017).


A TEMPORALIDADE HISTÓRICA RELATIVA AO OBJETO DE ESTUDO: A CURTA, A MÉDIA E A LONGA DURAÇÃO

O texto abaixo aborda os principais aspectos da perspectiva teórica de tempo histórico desenvolvida pelo historiador francês Fernand Braudel:

"Fernand Braudel desenvolveu sua teoria tendo em vista a sua percepção acerca da presença do tempo e do espaço atuando concomitantemente ao desenvolvimento das civilizações. No intuito de revelar os múltiplos aspectos que compõem a vida social, buscando as permanências e as mudanças que, como num caleidoscópio, se dão de forma dinâmica e intrincada, Braudel decompõe o tempo histórico em três durações — longa, média e curta — como método possível para alcançar a totalidade da vida dos homens destacando a espacialidade presente em todas estas dimensões temporais.

Ele havia criticado os historiadores tradicionais acusando-os de desespacializar a história, de 'retirarem a experiência humana esquecendo-se do espaço'. (RIBEIRO, 2010, p. 22). As temporalidades se agrupam através das suas relações com aspectos considerados fundamentais e que por isso estruturam a sua categorização. Essas temporalidades são aqui apresentadas, sumariamente, de modo a permitir uma melhor compreensão acerca do que se pretende refletir:

1. A longa duração é ligada aos aspectos estruturais que conformam uma sociedade tais como o tempo geográfico, considerada uma história que se move lentamente, relacionada ao homem em suas relações com o meio que o cerca, assim como com os aspectos mentais, considerados atavismos das sociedades.

2. A média duração é ligada aos aspectos conjunturais que conformam uma sociedade em uma instância de tempo social, relacionado a “forças de profundidade” (BRAUDEL, 1983, p. 25) articuladas às estruturas econômicas, sociais e políticas, que atuam de forma “lentamente ritmada” (BRAUDEL, 1983, p. 25).

3. A curta duração é ligada ao tempo individual, do tempo presente, dos acontecimentos, o tempo das “oscilações breves, rápidas, nervosas”, mas que são, por sua vez, manifestações desses largos destinos, forças de fundo e que “só se explicam por elas” (BRAUDEL, 1983, p. 25)."

Referência: POBLET, Maria del Mar Ferrer. A dimensão espaço-temporal em Fernand Braudel: aportes teóricos. 2011. Dissertação - Mestrado em Geografia. Programa de Pós-Graduação em Geografia do Instituto de Geociências da Universidade Federal de Minas Gerais. Belo Horizonte, 2011. 


Se você ainda não assistiu ao filme "A Guerra do Fogo", ele está acessível no Vimeo através do link abaixo:


TASSONE, Vicente Giancotti. Pré-história e história. Clio: revista de pesquisa histórica, n. 3, p. 65-72. Recife, 1980.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Cultura, trabalho, cidadania e ensino de História

O tripé formação humana, formação para o trabalho e para cidadania orientam o ensino médio regular no Brasil. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional estabelece em seu texto:

Seção IV
Do Ensino Médio

Art. 35. O ensino médio, etapa final da educação básica, com duração mínima de três anos, terá como finalidades:
I - a consolidação e o aprofundamento dos conhecimentos adquiridos no ensino fundamental, possibilitando o prosseguimento de estudos;
II - a preparação básica para o trabalho e a cidadania do educando, para continuar aprendendo, de modo a ser capaz de se adaptar com flexibilidade a novas condições de ocupação ou aperfeiçoamento posteriores;
III - o aprimoramento do educando como pessoa humana, incluindo a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico;
IV - a compreensão dos fundamentos científico-tecnológicos dos processos produtivos, relacionando a teoria com a prática, no ensino de cada disciplina.

A dimensão educacional do trabalho, para aqueles estudantes que já iniciaram sua vida profissional é um importante campo de aprendizados, assim como a educação básica no nível médio tem um papel relevante na formação dos/das estudantes para se desenvolverem profissionalmente.

Um momento marcante dessa jornada - que dura a vida inteira - é a escolha do curso superior e da profissão que pretende seguir. Alguns se espelham na profissão de pais ou familiares que admiram, outras pessoas desenvolveram talentos desde bem jovens e decidem seguir um caminho que amplie suas aptidões e desejos, mas muitos ainda não sabem que caminho trilhar ou mesmo quais são suas qualidades e afinidades para o mundo do trabalho. Sobretudo neste momento em que as políticas governamentais reduzem as possibilidades de ingresso no Ensino Superior para estudantes de escolas públicas, seja pelo violento corte de verbas para a educação, seja pela reforma do Ensino Médio que está em curso (entenda mais sobre o assunto:"Reforma do Ensino Médio é aprovada no Senado", El País - 09 fev 2017).

Testes vocacionais são instrumentos que nos auxiliam a encontrar cursos que tenham a ver com a gente. Abaixo deixo o link de três testes, para te ajudar a escolher o curso de nível superior que você fará após o ensino médio:

Teste - ênfase nas relações interpessoais
http://www.guiadacarreira.com.br/teste-vocacional/


Teste - ênfase nas afinidades socioculturais
http://www.mundovestibular.com.br/pages/teste_vocacional.html

Teste - ênfase comportamental
http://souvestibulando.com/teste_vocacional.php

Teste das 7 inteligências:
http://www.guiadacarreira.com.br/testes/teste-7-inteligencias/